sexta-feira, 13 de março de 2009

Encontro com um velho amigo

Ator encarna pela segunda vez na carreira o ex-presidente Juscelino Kubitschek, agora em filme ficcional sobre os amores e atentados a JK

O personagem Juscelino Kubitschek já esteve na vida de José de Abreu, 62 anos, algumas vezes. É um velho amigo. No teatro, em 1989, na peça JK, e agora no filme Bela Noite Para Voar, que relata acontecimentos romanceados na vida do ex-presidente, boa parte a bordo do avião da Força Aérea Brasileira, em 1955. O longa estreia nesta sexta-feira (13). Zé chega com seu visual nada Juscelino para a entrevista, com a cabeça raspada e rabo-de-cavalo do personagem Sacerdote Pandit, em Caminho das Índias. ''Estou raspando dependendo da frequência das gravações, mas geralmente é dia sim, dia não. Já acostumei com o visual. A Índia é muito louca...'', conta. Um papo com o ator de Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, é assim, repleto de histórias, inclusive de quando seu pai, José Pereira de Abreu, Juscelinista ferrenho, passou mal ao se emocionar e saber da eleição do presidente, em 1976. Confira o papo.

Que nova luz você acha que deu a JK com sua interpretação?
Não acho que dei uma nova luz. Eu não conheci JK pessoalmente, só o descrito por pessoas que o acham um ''iluminado''. Eu só conheço tanto assim JK porque o fiz no teatro, em 1989, escolhido por Dona Sara (Sarah Gomes de Sousa Lemos, mulher do ex-presidente), que lembrou de mim por causa da minissérie Anos Dourados. Fui à casa dela e passamos dias discutindo Juscelino. Eu tenho 12 horas de gravações desses papos, passamos muitas tardes juntos, conversando.

E a fama de mulherengo de JK?
Era verdade (risos)! Mas dizem que ele não beijava na boca, não. Contam milhares de histórias, mas não há nada de concreto. Dizem que ele gostava muito de dançar, naquele esquema petit comitê. Não era coisa de sexo, era coisa de dançar. Ele era um pé-de-valsa, gostava muito de música.

Na época em que o filme se passa (1955) você ainda era criança. Do que você se lembra desse período?
Meu pai era goiano, juscelinista, e era chefe de polícia lá em Santa Rita do Passa Quatro. Ele era muito bom, tinha 32 anos de polícia, 20 em Santa Rita, policial antigo. Meu pai nunca teve revólver, era delegado que prendia na moral. Tinha 64 afilhados. Ele ficou muito doente uma época, logo que se aposentou, não sabia o que era, fez várias cirurgias... E no dia em que Juscelino foi eleito, meu pai estava ouvindo rádio e passou mal, pois se emocionou. E alguns dias depois, ele morreu.

E a Princesa (personagem de Mariana Ximenes), afinal, existiu?
Mais ou menos. Na realidade, contam-se mil histórias do Juscelino paquerador. Agora teve realmente essa senhora, Maria Lucia Pedroso, que está viva até hoje e que mora em Petrópolis (RJ).

Zé, já me disseram que você é uma pessoa difícil. Isso é verdade?
Difícil (risos)? Eu sou difícil na Globo, sou difícil com produtor que trata mal as pessoas. Eu cumpro horário, quero a lei, quero que paguem hora extra. Com isso eu sou chato, mas no resto eu sou supergente fina. Mas eu tenho fama de difícil, normal. Não sei de onde vem, talvez de algum porre que eu tenha tomado, devo ter feito alguma besteira e esqueci (risos).

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