Prestes a estrear o filme Divã, Lília Cabral afirma que o casamento não é condição para a felicidade e diz que as mulheres precisam ter bom-humorLília Cabral está vivendo sua primeira protagonista no cinema - na televisão ela também nunca esteve no papel principal, embora sempre roube a cena. Em Divã, que estreia na próxima sexta-feira (17) ela é Mercedes, uma quarentona que resolve fazer análise e acaba mudando a sua vida. O filme é uma adaptação da peça de mesmo nome que fez sucesso pelo Brasil por três anos. Esta, por sua vez, é baseada no livro da gaúcha Martha Medeiros, uma das escritoras mais queridas do país. À vontade num papel que parece ter sido feito sob medida para ela, Lília tem viajado para lançar o longa-metragem, que tem todos os ingredientes para virar um sucesso de bilheteria, no rastro do recordista Se Eu Fosse Você 2. Lília falou a ÉPOCA sobre o novo trabalho e sua vida pessoal.
O projeto que transformou o livro Divã em peça de teatro e agora em filme é seu?
De certa forma, sim, porque tudo começou quando li o livro e simplesmente me apaixonei pelo texto, pela personagem, pela autora. No caso da peça, um amigo imaginou que daria um bom monólogo, mas preferi que houvesse muitos personagens. Talvez ela falando sozinha ficasse chato. E quem leu o livro sabe que Mercedes narra, no divã do analista, muitos acontecimentos interessantes, com o marido, com a amiga. Apostei nisso e a peça foi um sucesso. Então um dia o Alvarenga foi assistir à peça e viu com olhos de cinema. Embarquei totalmente na ideia de adaptar para o cinema, onde tudo poderia ser ainda mais colorido e atingir muito mais gente.
Quem é Mercedes?
De tanto que já falei dela, já me perdi nessa resposta (risos)! Então reproduzo o que uma grande amiga diz dela: ela é amiga, ela é companheira, ela é engraçada, ela é sexual, ela não tem medo de arriscar. Ela diz que ama a Mercedes como se ela fosse de verdade... Eu sinto da mesma maneira. Uma mulher ao mesmo tempo comum e especial, que sofre e ri, que às vezes tem medo, mas encara a vida de frente.
As mulheres vão se identificar com a personagem?
Eu acho que sim, embora eu não tenha pensando nisso o tempo todo. Nas filmagens eu não pensava: "preciso fazer isso assim ou assado para que as mulheres se identifiquem com ela". Não daria certo. Eu quis colocar sinceridade na Mercedes, quis fazer dela alguém de carne e osso. Uma das coisas de que mais gosto nela é o senso de humor. As mulheres precisam ter este senso de humor. Outro dia, vendo o Big Brother, fiquei olhando aquela moça, a Francine. Como ela é engraçada, como não faz pose, faz doideiras sem se importar com o fato de tanta gente estar olhando. Esse humor tem que ser uma característica feminina.
O que Lília e Mercedes têm em comum?
Acho que tenho uma leveza parecida com a dela. Também sou bastante só, não tenho mais pai e nem mãe, não tive irmãos, não tenho tios. Só primos bem mais velhos. Sofri muito com essas perdas, mas procurei sempre não ser amarga. Não costumo me desestruturar e, quando isso acontece, rapidamente busco caminhos pra sair do buraco. Mas somos diferentes em muitas coisas. Eu, por exemplo, não saberia ter o desprendimento dela quando desconfiou que o marido tinha uma amante e disse que não era traição, mas apenas infidelidade. Neste ponto sou mais parecida com a Mônica, a amiga da Mercedes que cheira as cuecas do marido (risos)!
Há 22 anos. Faço para mim e muitas vezes para as minhas personagens (risos)! Sempre me ajudou demais. Primeiro de tudo, me ensinou a elevar a minha autoestima, o primeiro passo para uma pessoa ser feliz. Hoje eu trabalho com a minha dificuldade em dizer não. Eu sou aquele tipo de pessoa que vai sempre aceitando tudo, colocando para debaixo do tapete, até que um dia estoura. Muitas vezes sou agressiva. Aos poucos vou melhorando.
O casamento é pré-condição para a felicidade?
Estou casada há 14 anos e tenho uma filha de 12. Aprendi que o casamento tem que ser um grande encontro e, depois disso, haver sempre cumplicidade e respeito. Sou feliz na minha união, mas não acho que essa é a razão da minha realização. Conheço muitas pessoas que são casadas e são profundamente infelizes. E outras que estão sozinhas muito bem. Mas penso sempre que há muita gente que busca o casamento desesperadamente e depois não sabe cuidar do que conquistou. Não investe, não trata bem o parceiro, acha que qualquer momento ruim é motivo para separação. É excelente que as mulheres não sejam mais dependentes de marido, que não precisem ficar num casamento infeliz por medo do preconceito, como era antigamente. Mas não se pode ir para o extremo oposto, achar que tudo é descartável.
Como é ser protagonista de um filme?
Estou muito ansiosa pelo retorno do público. O que temos, por enquanto, com as pré-estreias, já é muito positivo. O que eu também quero é que todos vejam. Não se trata de filme de mulher e nem de filme de quarentona. É uma história e não a história de uma mulher de 40 anos.
Acho que tenho uma leveza parecida com a dela. Também sou bastante só, não tenho mais pai e nem mãe, não tive irmãos, não tenho tios. Só primos bem mais velhos. Sofri muito com essas perdas, mas procurei sempre não ser amarga. Não costumo me desestruturar e, quando isso acontece, rapidamente busco caminhos pra sair do buraco. Mas somos diferentes em muitas coisas. Eu, por exemplo, não saberia ter o desprendimento dela quando desconfiou que o marido tinha uma amante e disse que não era traição, mas apenas infidelidade. Neste ponto sou mais parecida com a Mônica, a amiga da Mercedes que cheira as cuecas do marido (risos)!
Você é muito ciumenta?
Muito, muito, não. Mas eu diria que tomo meus cuidados. Gosto de saber o que está acontecendo. Tudo normal, nada de exageros.
Você faz análise? Muito, muito, não. Mas eu diria que tomo meus cuidados. Gosto de saber o que está acontecendo. Tudo normal, nada de exageros.
Há 22 anos. Faço para mim e muitas vezes para as minhas personagens (risos)! Sempre me ajudou demais. Primeiro de tudo, me ensinou a elevar a minha autoestima, o primeiro passo para uma pessoa ser feliz. Hoje eu trabalho com a minha dificuldade em dizer não. Eu sou aquele tipo de pessoa que vai sempre aceitando tudo, colocando para debaixo do tapete, até que um dia estoura. Muitas vezes sou agressiva. Aos poucos vou melhorando.
O casamento é pré-condição para a felicidade?
Estou casada há 14 anos e tenho uma filha de 12. Aprendi que o casamento tem que ser um grande encontro e, depois disso, haver sempre cumplicidade e respeito. Sou feliz na minha união, mas não acho que essa é a razão da minha realização. Conheço muitas pessoas que são casadas e são profundamente infelizes. E outras que estão sozinhas muito bem. Mas penso sempre que há muita gente que busca o casamento desesperadamente e depois não sabe cuidar do que conquistou. Não investe, não trata bem o parceiro, acha que qualquer momento ruim é motivo para separação. É excelente que as mulheres não sejam mais dependentes de marido, que não precisem ficar num casamento infeliz por medo do preconceito, como era antigamente. Mas não se pode ir para o extremo oposto, achar que tudo é descartável.
"Aprendi que o casamento tem que ser um grande encontro e, depois disso, haver sempre cumplicidade e respeito"
Como é ser protagonista de um filme?
Estou muito ansiosa pelo retorno do público. O que temos, por enquanto, com as pré-estreias, já é muito positivo. O que eu também quero é que todos vejam. Não se trata de filme de mulher e nem de filme de quarentona. É uma história e não a história de uma mulher de 40 anos.
Na televisão, mesmo sem ser protagonista, você já está acostumada a roubar a cena...
Ah, mas eu não gosto nada que falem isso! Eu não entro para roubar nada, mas também não entro para perder! Outro dia, numa entrevista com a Marília Gabriela, ela ficou repetindo essa história de que eu roubo a cena e eu pedi para aquela parte não ir ao ar. Fico me sentindo mal com isso. A verdade é que o que eu gosto mesmo é de dividir a cena com atores maravilhosos. E tenho tido sorte. Em Páginas da Vida, do Manoel Carlos, eu ficava em êxtase por contracenar com o (Marcos) Caruso. Em Divã, acho que formo uma ótima dupla com a Alexandra (Richter, que vive Mônica, a amiga da Mercedes). É isso que quero continuar fazendo.
Ah, mas eu não gosto nada que falem isso! Eu não entro para roubar nada, mas também não entro para perder! Outro dia, numa entrevista com a Marília Gabriela, ela ficou repetindo essa história de que eu roubo a cena e eu pedi para aquela parte não ir ao ar. Fico me sentindo mal com isso. A verdade é que o que eu gosto mesmo é de dividir a cena com atores maravilhosos. E tenho tido sorte. Em Páginas da Vida, do Manoel Carlos, eu ficava em êxtase por contracenar com o (Marcos) Caruso. Em Divã, acho que formo uma ótima dupla com a Alexandra (Richter, que vive Mônica, a amiga da Mercedes). É isso que quero continuar fazendo.
Mercedes diz que “sexo com amor é bom, mas sexo sem amor é melhor ainda”. Você concorda?
Eu não saberia dizer. Nunca fiz sexo sem amor! Mas acredito que seja como pular de bungee jumping. Uma experiência libertadora!
Eu não saberia dizer. Nunca fiz sexo sem amor! Mas acredito que seja como pular de bungee jumping. Uma experiência libertadora!
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