Incrível como uma entrevista com as atrizes Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, grávidas de sete meses e meio, lembra uma sessão privé de teatro. Basta direcionar o assunto e elas, amigas há 13 anos, protagonizam cenas dignas das comédias em que atuaram (“Cócegas” e “Os homens são de Marte...
e é para lá que eu vou”, respectivamente). As respostas das futuras mães de Clara e Júlia ganham tom de bate-papo, regadas a muitas gargalhadas. Dá até para para imaginar as duas bolando uma peça relatando suas estreias na maternidade. Seria sucesso garantido!
Ingrid: Ia ser muito louco se só uma de nós estivesse grávida. Temos muitos assuntos, mas agora o foco é a gravidez.
Mônica: Estamos mais unidas.
Ingrid: Mulher grávida ama mulher grávida. Se vejo uma eu já olho sorrindo e digo “oi, tudo bem? Está com quantos meses?”.
Mônica: O lance é trocar! Você fica mais sensível. O marido é quem mais sofre com a nossa irritação porque ele não assume o papel da paternidade tão rápido.
Ingrid: Falamos muito mal deles! E somos dramáticas por natureza. Aí eles começaram a achar que uma era péssima influência na vida da outra. Eu dizia “Mônica, aconteceu isso. É grave?”
Mônica: E eu respondia “Gravíssimo!”
Ingrid: Eles também devem ter reclamado muito da gente.
Mônica: Uso o “estou grávida” para tudo. Falo: “Estou traumatizada de ter engravidado de você!”. Depois me arrependo...
Ingrid: Mas agora é bacana que ficamos os quatro conversando sobre paternidade. Se conseguir fazer parto normal vou tirar onda com as minhas irmãs porque elas fizeram cesária.
Mônica: Julia está sentada e já decidiu por mim.
Ingrid: Se a Mônica tiver antes será uma emoção tão grande que eu tenho medo de parir na visita. Também não quero porque o nosso pediatra é amigo dela e vai acabar mandando o assistente para mim.
Mônica: Só faltava ser ao mesmo tempo! Serão, no máximo, três semanas de diferença.
Ingrid: Você não sente falta de comida japonesa?
Mônica: Como direto!
Ingrid: Come peixe cru?
Mônica: Sim, não é problema!
Ingrid: Não fala isso, sonho em colocar na boca...
Mônica: Eu não te liberei?
Ingrid: Não tenho anticorpos para a toxoplasmose e evito peixe cru. Vou ao japonês e fico respirando a comida dos outros... Você come salada fora de casa?
Mônica: Prefiro comer em casa.
Ingrid: Cismamos que eram meninos.
Mônica: Total! Menino quando cresce protege a mãe. Só que depois ele casa e passa para a família da mulher. Mas nós somos mães fortes!
Ingrid: Viajamos, chegamos até a disputar o mesmo nome, Theo. Até que ela soube que seria uma menina.
Mônica: E aí o marido dela começou a sacanear o meu. Ele dizia: “Tenho certeza de que o meu filho vai comer sua filha!”.
Ingrid: Quando contei que também esperava uma menina foi alegria total! Fizemos o filho no mesmo dia, 16 de dezembro.
Mônica: Pois é, transamos no mesmo dia... Estou pensando no sorvetinho depois do jantar. Agora quero tudo gelado. O problema da sede é que se beber água antes de dormir eu já sei o que será o xixi da noite! Fico seca e dou só uma molhadinha na língua.
Ingrid: Nosso paladar muda. Comemos com mais gosto.
Mônica: Só engordamos dez quilos cada uma. Tivemos corpão a vida inteira, tudo bem não ter agora!
Ingrid: Procuramos uma nutricionista e seguíamos à risca nos três primeiros meses.
Mônica: Foi bom porque nos deu ideias novas, eu nem sabia o que era chicória. Mas a quantidade era irreal, duas colheres de sopa de arroz, meia concha de feijão...
Ingrid: Três nozes! Até parece... Olha, não repara, nossa conversa não tem fim. Uma vez encostamos no sofá de uma pousada e conversamos durante oito horas. Quando toca o telefone lá em casa às 2 da manhã acho que pode ter acontecido alguma coisa e o René (marido) logo diz: “Deve ser a Mônica, amor!”
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