domingo, 4 de julho de 2010

CBF dispensa Dunga e encerra o seu ciclo de números bons e objetivos incompletos

A CBF levou dois dias para tomar uma decisão inevitável. Esperou o bastante. Na tarde deste domingo, com todos os integrantes da comissão técnica de volta ao país, a entidade que controla o futebol brasileiro comunicou, através de seu site oficial, a dispensa de todos eles. Parece ter aprendido a lição da repercussão negativa da desrespeitosa demissão de Leão, o técnico que perdeu o emprego num saguão de aeroporto, antes mesmo de desembarcar no Brasil depois de amargar uma má campanha na Copa das Confederações. Desta vez, só colocou o treinador dispensado em situação embaraçosa de forma involuntária, por culpa dele – na chegada ao Rio Grande do Sul, amolecido pelos aplausos que recebeu ao voltar para casa, Dunga deixava aberta uma brecha para sua permanência. Como todos já sabiam, não vai acontecer.

De acordo com a CBF, o ciclo iniciado depois da derrota para a França na Copa de 2006 foi cumprido por Dunga e sua equipe de profissionais. Agora, porém, o trabalho da comissão foi considerado concluído. A nova comissão técnica deverá ser anunciada ainda neste mês, com a perspectiva extraordinária – e assustadora, por causa da fortíssima pressão – de comandar a seleção na Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Como aconteceu em quase todas as outras transições entre comissões técnicas da seleção sob o comando de Ricardo Teixeira, pelo menos parte da equipe deverá ser mantida. Em casos como o do médico José Luiz Runco e do fisioterapeuta Luís Rosan, a permanência é possível. Para Dunga e seu auxiliar Jorginho, é claro, isso não era viável.

Mesmo que quisesse – e sempre disse que não queria -, o técnico não teria condições de permanecer no cargo. A cobrança seria acima do suportável. E o Brasil claramente precisa se renovar para disputar o Mundial em casa. Dunga concluiu sua gestão à frente da seleção mais forte e tradicional do planeta deixando números positivos e uma impressão negativa. Sim, ganhou a maioria das partidas disputadas. Bateu seleções tradicionais: Argentina (três vezes), Itália (duas vezes), Portugal (de goleada, 6 a 2). Terminou as Eliminatórias para a Copa em primeiro lugar. E foi campeão de dois torneios disputados antes do Mundial da África do Sul.

Na Copa América, começou mal e terminou atropelando os argentinos. Na Copa das Confederações, o futebol não convenceu – foram vitórias sofridas contra África do Sul e EUA na semifinal e final -, mas veio mais um título. Não importa. Por mais que Dunga tenha sido contratado para comandar a seleção brasileira por quatro anos, sua missão podia mesmo ser resumida em quatro semanas, na disputa da Copa do Mundo. Já tinha escapado por pouco da degola depois do único grande fracasso anterior à derrota de sexta-feira contra a Holanda – o fiasco na Olimpíada de Pequim-2008. Uma queda em quartas-de-final numa Copa em que não enfrentou nenhum bicho-papão selou o destino de Dunga, ainda que ele tivesse pensado em tentar de novo quando desembarcou no Brasil sem ser coberto de impropérios.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Link-Me