Laurentino Gomes diz que pergunta de história tem data errada.
Professores de cursinho viram erros em outras questões.
A questão cita a data de 1810 como ano da abertura dos portos no Brasil. Segundo Gomes, o ano correto é 1808. “Quando fiquei sabendo, fiquei assustadíssimo. Corri para ver se o erro era do livro, mas não era”, afirmou.
Gomes usou o Twitter para se defender. Na rede social, postou: “A prova do Enem, que usa meu livro 1808 como fonte, cita 1810 como data da abertura dos portos. O correto é 1808. Erro do MEC, não meu!”
Em seu site, o escritor afirmou ainda: “Erros de revisão costumam ser relativamente comuns em jornais, revistas e livros. Nas primeiras edições do próprio '1808' o nome de Tiradentes aparecia como José Joaquim da Silva Xavier, quando o correto é Joaquim José. Mas uma prova do Enem, alvo frequente de críticas de professores e estudantes, deveria merecer uma checagem mais cuidadosa.”
Em entrevista ao G1, nesta segunda-feira, Gomes afirmou que considera o Enem um avanço para a educação brasileira, pela necessidade de avaliação dos estudantes, mas disse que deveria haver mais cuidado na elaboração. “Quem prepara as provas tem que ser mais cuidadoso”.
Para o autor, quem elaborou a questão confundiu a abertura dos portos no país, em 1808, com o tratado comercial com a Inglaterra, firmado em 1810, que funcionou como uma espécie de ampliação da abertura dos portos.
A professora de história do cursinho Objetivo, Selma dos Santos Rofino, também viu o erro de data. “É 1808, não 1810, mas não compromete a questão”, afirmou.
A resolução comentada do cursinho Anglo cita o erro de data também. A correção diz: "Das cinco alternativas, a C é a única possível como resposta, já que as demais contêm erros históricos evidentes. Tão evidentes quanto as falhas de elaboração da questão. Primeiro: não foi conquistada a 'região do Rio da Prata', mas apenas a que corresponde ao atual Uruguai. Segundo: mais do que uma represália à aliança franco-espanhola, a ocupação da Banda Oriental foi a concretização de um antigo projeto lusitano na região platina. Terceiro: a conquista da Banda Oriental não foi consequência de nenhum dos eventos citados na questão. Quarto: três dos eventos relatados contêm erros: D. João não fugiu de 'um possível ataque de Napoleão', e sim do ataque; a abertura dos portos foi decretada em 1808, não em 1810; e, por fim, D. João tornou-se rei de Portugal em 1818, não em 1816.”
Procurado, o Ministério da Educação ainda não respondeu se a questão pode ser anulada.
Outros erros em questões foram relatados por professores de cursinho. Veja alguns exemplos:
O professor de geografia do Anglo, Reinaldo Scalzaretto, vê erro no enunciado da questão 1 do exame (prova azul), que fala sobre concentração de terras no Brasil. Segundo o professor, no lugar de dizer que o gráfico representa a "totalidade dos imóveis rurais no Brasil", o enunciado deveria dizer que representa as "áreas ocupadas pelos imóveis". "Está errado. Não há resposta correta", disse.
Marcelo Dias Carvalho, coordenador de matemática do Etapa, disse que a questão 156 (prova amarela) e 147 (prova azul) admite uma interpretação dupla. Segundo Carvalho, se o aluno interpretar que houve engarrafamento nos dois trajetos, chega à resposta da alternativa B. Se interpretar que o engarrafamento ocorria no primeiro trecho, ou no segundo, ou nos dois, pode apontar a alternativa D como correta. “Para mim, o ideal é que as duas respostas sejam aceitas.”
Segundo o coordenador de física do cursinho Etapa, Marcelo Monte Forte da Fonseca, a questão 54 (prova azul), que fala sobre Júpiter tem problemas. “Fizeram a pergunta em cima de uma coisa que não tem resposta. É uma brincadeira boba”, disse. De acordo com o professor, a notícia usada como fonte afirma que ainda se busca uma explicação para o fenômeno citado na questão, que é o desaparecimento de uma das faixas do planeta.
O professor de história do Brasil do Anglo, José Carlos Moura, cita ainda uma questão sobre a Guerra de Canudos, de número 21 (prova azul). Há duas respostas possíveis, segundo o professor. A alternativa A e a D. Na resolução comentada do cursinho, o professor diz: “A questão é problemática, há duas possibilidades de resposta. A alternativa A elenca conjuntos de objetos e motivos para justificar o interesse do Iphan pela região. Contudo a alternativa D também aponta razões para o reconhecimento das ruínas pelo Instituto, pois elas constituiriam documentos das 'práticas e representações de uma sociedade', afirma a resolução comentada do cursinho."
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