quinta-feira, 24 de junho de 2010

Expulsão de Kaká dá a Julio Baptista chance entre os titulares

Há uma declaração ensaiada na seleção brasileira, como se constasse de uma cartilha: os 23 atletas convocados por Dunga são titulares. Por um lado, e com boa vontade, é possível entender que isso, na prática, significa dizer que todos ali têm de estar preparados para eventualidades. É o que se espera nesta sexta-feira (25) de Julio Baptista. Ele vai entrar na vaga de Kaká, expulso na última partida, naquela que pode ser uma oportunidade única em sua carreira. "Estou pronto para jogar. Trabalhei para isso", disse Julio, ainda em Johannesburgo.

São poucos os ‘reservas’ que conseguem na história das Copas dar um salto repentino de um jogo para o outro, ainda mais quando substituem atletas de talento e qualidade técnica, como Kaká. Julio Baptista deixou seu recado para Dunga e seus críticos mais ferinos na final da Copa América de 2007, na Venezuela, quando marcou um belo gol na vitória por 3 a 0 sobre a Argentina.

Desde então, passou a ser nome certo nas convocações. Mas o papel de protagonista daquela decisão sofreu um revés. Julio Baptista não teve mais nenhuma outra grande atuação pela equipe e se firmou como coadjuvante no time de Dunga. Até mesmo em 11 de maio, data do anúncio dos 23 jogadores brasileiros que hoje estão na África do Sul, havia algumas dúvidas quanto à presença do meia da Roma na lista.

Nesta sexta-feira, a partir das 16 horas, em Durban (11h de Brasília), Julio Baptista vestirá a camisa 19, cantará o hino nacional perfilado ao lado dos colegas e vai ouvir o aplauso de milhares de pessoas quando seu nome for anunciado pelo sistema de som do Moses Mabhida Stadium e sua imagem despontar nos painéis superpostos sobre a arquibancada. "Quero mostrar de novo que posso ajudar, que posso ser útil para a seleção", afirmou, ansioso por sua estreia num Mundial.

A alegria com a chance de atuar em um Mundial era visível no treino desta quinta-feira, no Estádio Princess Magogo, numa área periférica de Durban. Julio Baptista era um dos mais expansivos e dava gargalhadas durante o recreativo. Logo ele, que lidera o grupo dos moderados da seleção. No final da atividade, foi a atração, ao cobrar vários pênaltis. Teve bom aproveitamento e sabe que essa tarefa pode ser sua nesta sexta-feira, se o árbitro marcar faltas a favor do Brasil na área - Kaká é o cobrador oficial. Com a ausência também de Elano, o ex-são-paulino pode se encarregar de outra missão - bater as faltas na entrada da área que estejam mais a feição dos destros

Julio Baptista esteve com um pé no Mundial de 2006. Participou de campanhas vitoriosas, das Copas América (2004) e das Confederações (2005) com Carlos Alberto Parreira, mas acabou sobrando na relação final. Nunca escondeu seu desapontamento com a exclusão. Deu a volta por cima e conseguiu o que queria. Resta agora substituir à altura o camisa 10 da seleção brasileira. (Sílvio Barsetti - AE)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Link-Me