sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Caras & Bocas vai deixar saudade!

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Existem novelas que vão me conquistando aos poucos. Capítulo a capítulo, vou me afeiçoando aos personagens, ficando mais íntimo da história e, quando dou por mim, estou viciado. Esse foi o caso de A Favorita (2008). Outras tramas me arrebatam logo de cara, fico louco para assistir no dia seguinte, mas vou cansando dia a dia e mantenho os olhos grudados na telinha por mera questão profissional. É o que está acontecendo com Viver a Vida, que só me decepciona. Mas tem também um tipo de novela que você até gosta dos primeiros capítulos, continua se divertindo durante seus meses de exibição no ar, mas apenas se toca do quanto curtiu o folhetim quando ele está perto de acabar. Definitivamente é o que estou passando com Caras & Bocas. Já estou morrendo de saudades de Bianca (Isabelle Drummond), Ivonete (Suzana Pires), Cássio (Marco Pigossi) e do Xico (Kate), é claro.

Tudo bem que eu curti bons momentos ao lado dessa turma, mas Caras & Bocas estou com a sensação de que ela poderia ter ficado mais tempo no ar. A trama não cansou tinha um ritmo de seriado, tamanha movimentação que cada capítulo oferecia ao público. A tão temida “barriga” (jargão do meio televisivo para definir aquele momento no meio de uma novela em que nada acontece) não existiu e isso é mérito total de Walcyr Carrasco. Caras & Bocas guardou todas as características típicas da obra do autor, inclusive, nos diálogos dos personagens, mas o novelista conseguiu se renovar, criando casais incomuns como Cássio e Lea (Maria Zilda) e depois, Cássio e André (Ricardo Duque), casais inter-raciais, como Nick (Sérgio Marone) e Milena (Sheron Menezes) e Caco (Rafael Zulu) e Laís (Fernanda Machado), casais maduros, Jacques (Ary Fontoura) e Piedade (Bete Mendes)… E por aí vai.

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Muita gente reclamou comigo que todos os pepinos de Caras & Bocas foram resolvidos pela Bianca. E é verdade. Verdadeira super heroína, politicamente nada correta, Bianca livrou quase todos os personagens das piores ciladas. Mesmo sendo fútil metida e deslumbrada, ela conseguiu conquistar os espectadores e ainda provou que podia ser uma excelente empresária. Triunfou como fabricante de biscoitos e ganhou o direito de suceder o bisavó no controle das empresas da família. Vivida com maestria e vivacidade por Isabelle, Bianca garantiu um lugar cativo na galeria de personagens inesquecíveis de nossa telinha. Lá estará também à maquiavélica Judith. Que Deborah Evelyn é uma atriz extraordinária – uma das melhores do país – já cantei aqui em prosa e verso. Mas ela se superou na pele da Judith. Deborah dosou com perfeição altas doses de veneno com a mais fina ironia. O resultado foi uma megera absolutamente deliciosa.

E uma delícia também foi a arretadíssima Ivonete. Graças à sua excelente interpretação, Suzana Pires fez muita gente acreditar que era baiana de verdade. Mas a moça é carioca da gema e esse tipo de confusão é o melhor prêmio que uma atriz pode ganhar. Eu não fazia parte do coro que desejava ver Ivonete e Fabiano (Fábio Lago) juntos novamente. Preferia que o pobre e humilhado rapaz arrumasse uma nova mulher, tão safada quanto Ivonete. Mas uma nova história para viver. Mas que a parceria de Fábio e Suzana era dos deuses, ah isso não nego.

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Por falar em parceria, Maria Zilda e Marco Pigossi subverteram todo e qualquer preconceito sobre histórias de amor e fizeram boa parte do público torcer pela felicidade de Léa e Cássio. Mas adorei a solução que Walcyr arrumou para o casal, arranjando outro “bofe escândalo” (Klebber Toledo) para a perua e deixando o caminho livre para o “moranguinho” ser feliz com André. A volta de Simone (Ingrid Guimarães) para a novela também agradou demais. A atriz parou de repetir tanto “amado/amada”, que era o calcanhar de Aquiles da personagem, e o final feliz com Denis (Marcos Pasquim) era mais do que desejado por todo mundo.
Nas soluções românticas do final da novela, só fiquei incomodado com a inconstância de Amarilys (Guilhermina Guinle). Em apenas duas cenas, a milionária tentou transar com Nicholas e, ao ser rechaçada, se jogou nos braços de Lucas (Marco Antônio Gimenez), fazendo juras profundas de amor. Desconfio que a moça seja tão esquizofrênica quanto seu enteado, Renan, vivido por Dener Pacheco, que, aliás, se saiu muito bem nas cenas de surto psicótico de seu personagem. Surpreendente mesmo!

E já que estou levantando os pontos fracos, é impossível não me repetir. Pode falar o que quiser, mas Sérgio Marone é, foi e sempre será péssimo. Um assombro de ruindade. Perto dele, Henri Castelli, que nunca foi um grande ator, parece Tony Ramos. Tão canastrão quanto Marone só mesmo Júlio Rocha. Não bastasse ser careteiro, ele ainda tem um sotaque irritante. Faça fonoaudiologia o mais rápido possível, Júlio. E um cursinho de interpretação também não seria nada mal…

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Para fechar, levanto e bato palmas para a direção ágil de Jorge Fernando. Sua parceria com Walcyr Carrasco não pode ser desfeita. Eles nasceram um para o outro. E deixo também minha homenagem para os sempre perfeitos Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Ana Lúcia Torre, Marcos Breda e Fulvio Stefanini. Não tenho como deixar de reverenciar ainda Flávia Alessandra e Malvino Salvador, que fizeram milagre com papéis nada desafiadores. Destaque ainda para os jovens Miguel Rômulo, Davi Lucas, Júlia Lund, Sophie Charlotte, Rachel Ripani, Julia Ruiz, Carina Porto, Diego Cristo, Rodrigo Andrade, Amanda Azevedo, Klebber Toledo e os já citados Marco Pigossi e Dener Pacheco. E para não ser injusto com ninguém, Maria Clara Gueiros, Neusa Maria Faro, Bete Mendes, Renata Castro Barbosa e Wagner Santisteban também tiveram alguns bons momentos. Prefiro não comentar nada sobre Danieli Haloten, mas duvido muito que a jovem deficiente visual volte a fazer outro trabalho na TV.

Deixei por último o grande astro de Caras & Bocas porque Kate, intérprete do talentoso Chico e da sedutora Cindy, foi realmente irresistível. Sou completamente apaixonado por cães, mas nunca antes na telinha outro animal fez tanto sucesso. Kate nasceu para brilhar. Palmas que ela merece! E que venha Tempos Modernos


Blog do Jorge Brasil

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