sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O melhor e o pior de 2009

É hora de colocar as cartas na mesa e avaliar o melhor e o pior do ano que passou. E para minha surpresa, tive certa dificuldade para eleger as bombas de 2009. Tirando Cinquentinha, nada de tão horripilante foi produzido. O incrível é que, por outro lado, também não teve um destaque tão retumbante como A Favorita foi em 2008 ou uma atuação brilhante do nível de Patricia Pillar, na mesma novela. De qualquer maneira é impossível não citar a excelência de Som & Fúria, Maysa – Quando Fala o Coração, Tudo Novo de Novo, Caras & Bocas, Cama de Gato, Poder Paralelo, A Lei e o Crime, Decamerão – A Comédia do Sexo, Paraíso e Caminho das Índias. Sim, apesar do final absolutamente frustrante, não dá para negar a força da trama de Glória Perez. Mas vamos ao que interessa…

NOVELA

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Melhor:
Se ano passado não hesitei em cravar A Favorita como a melhor novela, este ano empaquei. Fiquei na dúvida se era Poder Paralelo, produção forte, corajosa, com uma trama envolvente e personagens complexos. Por outro lado, caí de amores por Caras & Bocas, em que Walcyr Carrasco manteve suas marcas registradas e, ao mesmo tempo, conseguiu se renovar. Apaixonei-me de cara pelo macaco Xico (vivido pela fofa Kate), pela abusada Bianca (Isabelle Drummond) e pela safada Ivonete (Suzana Pires). Sem falar no rosa chiclete Cássio (Marco Piggosi). Tudo de muito bom. Mas também não tenho como desmerecer Caminho das Índias. A obra grandiosa arrebatou o país, deixando todos nós um pouco indianos. Are baba! Escrevi aqui uma vez que Caminho das Índias poderia ter sido uma novela muito melhor do que foi, mas escrever uma trama sozinha, não é brinquedo não. Tiro o chapéu para Glória. Eu adorei os primeiros capítulos de Bela, a Feia e Viver a Vida. Mas as duas se perderam. A primeira perdeu a graça inicial para virar um dramalhão bobo; e a nova história de Manoel Carlos estreou maravilhosamente bem, mas agora está baixo astral demais. Acho que a gente poderia viver a vida com um pouco mais de leveza. De frente com esse impasse, acabei optando por Cama de Gato. Isso mesmo. Fico impressionado com o talento de Duca Rachid e Thelma Guedes. Elas conseguiram criar uma trama mirabolante, cheia de nuances e reviravoltas e, enquanto autores já veteranos teriam cometido diversos furos, elas não deixam qualquer brecha. Tudo é absolutamente bem executado, moderno e impecável. Cama de Gato é um folhetim dos bons e chegou ao fim de 2009 como a grande surpresa.

Pior:
Fácil. Nenhuma outra novela foi pior do que Promessas de Amor. A saga mutante de Tiago Santiago começou bem em Caminhos do Coração, ganhou agilidade com Os Mutantes, mas despencou pavorosamente com a conclusão da trilogia. Nada funcionou. O elenco demonstrava claramente que não acreditava no que estava fazendo e a mistura de histórias tradicionais com os seres poderosos não deu liga. Foi realmente um horror. Já Vende-se um Véu de Noiva teve bons e maus momentos, só que fechou o ano de maneira triste e patética, virando mais uma vez um joguete nas mãos de Silvio Santos. O “patrão” simplesmente acordou e decidiu acabar com a novela quase um mês antes do fim programado. Lamentável!

MINISSÉRIE/SERIADO

Melhor:
Maysa – Quando Fala o Coração e Som & Fúria simplesmente foram as duas melhores produções de 2009. Foi impossível não se emocionar com a interpretação visceral da novata Larissa Maciel, no papel da cantora Maysa Matarazzo. Toda minissérie, aliás, foi linda de se ver e ouvir. Um acerto incontestável de Manoel Carlos e Jayme Monjardim, este, um guerreiro que reviveu todo o drama de sua mãe com muita coragem. Para completar, Maysa – Quando Fala o Coração ainda revelou Mateus Solano, que hoje arrasa como os gêmeos Miguel e Jorge, de Viver a Vida. Já Som & Fúria foi espetacular do primeiro ao último capítulo. Não compactuo com essa palhaçada de “ressuscitar” a carreira de Felipe Camargo, já que o rapaz nunca deixou de trabalhar. Felipe realmente estava bem, mas os destaques da produção de Fernando Meirelles foram Andréa Beltrão, Pedro Paulo Rangel, Dan Stulbach e a desconhecida Cecília Homem de Mello. Curti demais também Tudo Novo de Novo, A Lei e o Crime, Força Tarefa, Decamerão - A Comédia do Sexo e Aline.

Pior:
Falei lá em cima que Cinquentinha foi a pior coisa que vi em 2009. E não retiro o que disse. A minissérie foi um desfile de atuações péssimas, tinha uma trama ridícula e expôs Susana Vieira a situações tão constrangedoras que me deprimiu. Apenas Betty Lago se salvou, na pele da riponga Rejane. Mas lembrei agora de Norma, o constrangimento estrelado por Denise Fraga. Jesus me abana. Norma não tinha graça nenhuma. Felizmente a Globo teve o bom senso de tirá-la do ar rapidamente. A nova temporada de Ó Pai, Ó também foi muito fraca. Salvaram-se apenas Lázaro Ramos (sempre excelente) e Tânia Koto (a espetacular Neusão).

ATOR

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Melhor:
Rodrigo Lombardi fez um ótimo Raj, em Caminho das Índias; Gabriel Braga Nunes deu um show como o Tony, de Poder Paralelo; Eriberto Leão recriou muito bem o Zeca, de Paraíso; Zé Carlos Machado mais uma vez provou o ótimo ator que é em Vende-se um Véu de Noiva; Marco Nanini arrasou de novo em A Grande Família; Murilo Benício brilhou em Força Tarefa, assim como Marco Ricca, em Tudo Novo de Novo. Já Lázaro Ramos deu um show duplo em Ó Pai, Ó e Decamerão – A Comédia do Sexo. Felipe Camargo esteve perfeito como o instável protagonista de Som & Fúria, e amo as atuações cheias de nuances de Pedro Paulo Rangel e Dan Stulbach, também de Som & Fúria. Só não foram melhor que Mateus Solano, a revelação e o melhor ator do ano passado. Seu desempenho como o charmoso Ronaldo Bôscoli, de Maysa – Quando Fala o Coração, foi bárbaro. E o rapaz deu a facada mortal em seus “rivais” com os gêmeos de Viver a Vida. Mateus criou tipos completamente diferentes. Qualquer um é capaz de dizer quem é Miguel e quem é Jorge, mesmo que o rapaz não diga nada. Um triunfo de um jovem talento.

Pior:
Fácil. Márcio Garcia decepcionou além da conta em Caminho das Índias, e Marcelo Serrado definitivamente não convence como vilão. Um papel ótimo como o Bruno, de Poder Paralelo, nas mãos de outro ator seria espetacular. Fraquíssimos também Daniel Alvim, em Vende-se um Véu de Noiva, e Marcos Palmeira, em Cama de Gato. Mas os piores foram Micael Borges, o protagonista de Malhação 2009, e Luciano Szafir, de Promessas de Amor. O primeiro, coitado, não sabe nem falar. E Szafir deveria voltar a ser empresário. Atuar, definitivamente, não é sua praia.

ATRIZ

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Melhor:
Fiquei bem tentado em eleger Alinne Moraes a melhor do ano por Viver a Vida. Mas depois pensei na ótima e surpreendente atuação da novata Nathália Dill, em Paraíso, e balancei. Sem falar que Paloma Duarte e Miriam Freeland arrasaram em Poder Paralelo, e Dayenne Mesquita foi uma boa revelação em Vende-se um Véu de Noiva. Já Flávia Alessandra se saiu bem em Caras & Bocas, assim como Paola Oliveira e Camila Pitanga, em Cama de Gato. Gostei muito também do desempenho de Taís Araújo, em Viver a Vida, e Juliana Paes foi mesmo o nome ideal para fazer a Maya, de Caminho das Índias. Larissa Maciel deu um show em Maysa – Quando Fala o Coração. Mas vou fechar com três atrizes impecáveis. Não é de hoje que acho Júlia Lemmertz maravilhosa. Em Tudo Novo de Novo ela fazia uma mulher como outra qualquer: trabalhadora, mãe e esposa traída, que se deparou com um novo amor e não sabia o que fazer com ele. Júlia brilhou em cada mínima cena da série, e ainda não me conformo pela Rede Globo ter decidido não produzir mais episódios do seriado. Quero reverenciar também a excelente composição que Gisele Itié vem fazendo da feiosa protagonista de Bela, a Feia. Do trabalho corporal perfeito à emoção e graça que a atriz emprestou à personagem, tudo funcionou às mil maravilhas. Um desempenho impecável. Mas minha favorita de 2009 atende pelo nome de Andréa Beltrão. Engraçadíssima como a Marilda, de A Grande Família, ela explodiu em talento, emoção e contradição como a Elen, de Som & Fúria. E fechou o ano no especial Programa Piloto, que há de virar seriado em 2010. E só para lembrar, Andréa ainda arrasou no cinema, estrelando dois filmes excelentes: Verônica e Salve Geral. Ou seja: 2009 foi o ano de Andréa Beltrão.

Pior:
Letícia Sabatella recebeu o prêmio de melhor atriz do jornal Extra, pela Yvone de Caminho das Índias, e isso me chocou. Achei a atuação da moça péssima. Fraca, sem vida, sem nuances, um desperdício. Yvone era uma personagem incrível que não aconteceu. As melhores cenas da moça foram as surras que ela levou de Melissa (Christiane Torloni) e Silvia (Débora Bloch). Aliás, adoraria ter visto o que Débora teria feito se tivesse sido a escolhida para interpretar Yvone… Não lembro de outra protagonista tendo uma interpretação tão ruim quando Letícia.

COADJUVANTES

Melhor:
Tony Ramos me fez chorar várias vezes em Caminho das Índias. É o melhor ator do Brasil e ponto final. Curti muito também Marco Pigossi e Fábio Lago, em Caras & Bocas; Mauro Mendonça e Alexandre Nero, em Paraíso; Marcelo Airoldi, em Viver a Vida; Tuca Andrada e Petrônio Gontijo, em Poder Paralelo; João Camargo e Cláudio Gabriel, em Bela, a Feia; Edmilson Barros em Decamerão – A Comédia do Sexo; Eduardo Semerjian em Maysa – Quando Fala o Coração, e Matheus Nachtergaele, duplamente espetacular em Decamerão – A Comédia do Sexo e Ó Pai, Ó. Mas o ator coadjuvante de 2009 é Bruno Gagliasso. O garoto já cansou de provar que é muito mais do que um rosto bonito, mas se superou como o esquizofrênico Tarso. Perfeito nos momentos de crise e emocionante nas horas de lucidez. Uma composição difícil que merece ser aplaudida de pé.
Entre as mulheres, destaque para Suzana Pires, Deborah Evelyn e Isabelle Drummond, maravilhosas em Caras & Bocas, e Lilia Cabral, sempre perfeita em Viver a Vida. Quero mencionar ainda Dira Paes, Laura Cardoso, Maria Maya, Marjorie Estiano, Tania Khalill e Ana Beatriz Nogueira, ótimas em Caminho das Índias. De Caras & Bocas quero mencionar ainda Elizabeth Savalla, Maria Zilda, Maria Clara Gueiros e Ingrid Guimarães (quando não repete tanto o “amada”). De Paraíso, a extraordinária Cássia Kiss, além de Vanessa Giácomo, Soraya Ravenle e Juliana Boller. E impossível não reverenciar Adriana Garambone, como a Maura de Poder Paralelo, e Bárbara Borges, a Elvira de Bela, a Feia. E mais: Dedina Bernadelli (Maysa – Quando Fala o Coração), Deborah Secco (Decamerão – A Comédia do Sexo e Ó Pai, Ó), Drica Moraes (Decamerão – A Comédia do Sexo), Cecília Homem de Mello, Maria Flor, Regina Casé e Débora Falabella (Som & Fúria), Maria Estela, Talita Castro e Marianne Dresch (Vende-se um Véu de Noiva), Mariana Rios, Carolinie Figueiredo e Jéssica Alves (Malhação 2009), além de Bárbara Paz, Adriana Birolli, Letícia Spiller, Natália do Vale, Angela Barros, Giovanna Antonelli e a irresistível Klara Castanho, por Viver a Vida.

Pior:
Ninguém no Brasil é pior do que Sérgio Marone. É definitivamente uma catástrofe, ainda mais assustador que Ricardo Macchi e Rafael Calomeni. As caretas que esse rapaz faz em Caras & Bocas são de matar. Uma ofensa à inteligência do público. O veterano Osmar Prado também me irritou muito como o Manu, de Caminho das Índias, e Iran Malfitano, Thierry Figueira e Raul Gazolla deveriam ser extraditados pelo que cometem em Bela, a Feia. Marcos Winter também está canastrão em Vende-se um Véu de Noiva. Mas no péssimo nível de Marone só mesmo João Pedro Zappa, o neto de Marília Gabriela em Cinquentinha. A “ruindade” do garoto me traumatizou.
Já no lado feminino, Vera Fischer, coitada, me deu pena como a Chiara, de Caminho das Índias. A pobre mal conseguia dizer seu texto e parecia uma boneca de plástico com olhos arregalados. Um horror! Sempre fui fã de Elaine Cristina, mas o tempo que passou longe da telinha fez a veterana desaprender tudo o que sabia e exagerou na dose como a vilã Eunice, de Vende-se um Véu de Noiva. É o mesmo problema de Simone Spoladore, em Bela, a Feia. Over, over, over… Lica Oliveira, fraquíssima em Viver a Vida, e Heloísa Perissé, repetindo tudo o que já fez na vida em Cama de Gato, completam a lista. Caso tenha esquecido de alguém, por favor, a tribuna está aberta… Lembre que a casa é sua!


Blog do Jorge Brasil

Um comentário:

  1. Não concordo em alguns pontos.

    Osmar prado foi o máximo em CDI. eu ria toda vez que ele falava.

    Marcos Palmeiras tbem ta mandando bem, tanto é que rola quimica entre ele e a Camila Pitanga.

    Ate

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