
Em Viver a Vida, Isabel (Adriana Birolli) sempre repete que é a pessoa mais lúcida da família. E ela tem um pouco de razão. Realmente tem os pés no chão, é objetiva e poderia ser uma ótima conselheira, caso não ultrapassasse com tamanha ferocidade a linha tênue que separa a sinceridade da grosseria. Isabel não fala nenhum absurdo. O problema é como ela se posiciona e a maneira sádica com a qual gosta de jogar verdades na cara das pessoas. Isabel poderia ser uma excelente provocadora, aquela personagem que está sempre mexendo na ferida de quem está a seu lado, mas ela acabou pegando o estereótipo de vilã.
A cada dia que passa a filha de Tereza (Lilia Cabral) está mais próxima das maldades típicas de um folhetim. E irá piorar, já que a moça vai torturar Luciana (Alinne Moraes) física e psicologicamente depois que a modelo for para casa. Acho uma pena, um desperdício porque Adriana Birolli está muito bem no papel e poderia ser mais bem aproveitada se não virasse uma mera vilãzinha. Da maneira que está a personagem apenas angaria a antipatia e o ódio do público.

Se analisar com cuidado, Isabel tem muito da Bianca (Isabelle Drummond), de Caras & Bocas. Ambas são mimadas, voluntariosas e dizem sempre o que pensam, sem ligarem a mínima para a sensibilidade alheia. Bianca é tão “desagradável” quanto Isabel, mas é adorada pelo espectador, enquanto a outra é execrada. Tudo porque a adolescente é realmente desbocada, metida até dizer chega, só que tem boas intenções. Ela não esconde que tem horror a pobre, mas move céus e terras para ajudar os pais e os amigos. Bianca é uma provocadora como Isabel, só que está do lado da galera do bem.
Isabel também poderia fazer parte dessa turma e não cair no maniqueísmo. Respeito a opção do autor, mas acho que Paixão (Priscila Sol), por exemplo, poderia se revelar uma tremenda vilã, por baixo daquela pele de cordeiro. Dessa forma, a trama das 9 fugiria do óbvio e, no final, todo mundo teria que dar o braço a torcer: Suzana (Carolina Chalita) é que estaria certa em relação ao caráter da jovem. Mesmo porque tenho bastante dificuldade de diferenciar a estagiária de arquitetura da virginal Mia (Paloma Bernardi). Acho as duas simplesmente idênticas: meiguíssimas, boazinhas, se magoam por tudo e sofrem nas mãos de mulheres dominadoras e agressivas. Mia e Paixão não têm conflitos e não parecem ter sangue nas veias. Não seria um barato se Paixão assumisse esse “cargo” de atormentar Luciana e deixasse para Isabel a missão de ser o Grilo Falante dos outros personagens? Eu iria adorar.
Blog do Jorge Brasil

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