sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Viver a Vida: A apoteose de Alinne Moraes

É tão bom acompanhar a evolução de um artista. Muitas vezes determinado ator ou atriz surge do nada, faz um sucesso imenso e, findo aquele trabalho, ele desaparece. Ou então submerge em papéis menores que não fazem jus a todo aquele burburinho. Você fica sem saber se a tal boa atuação foi resultado de sorte, uma excelente direção ou se a pessoa é talentosa mesmo e só não conseguiu uma nova chance para provar isso. Foi o que aconteceu com Mel Lisboa, por exemplo. Mel arrebatou o Brasil como a protagonista de Presença de Anita (2002) e, depois, babau: nunca mais fez um trabalho de relevância. Esse não é definitivamente o caso de Alinne Moraes, o grande destaque dessa primeira etapa de Viver a Vida.

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A trajetória profissional de Alinne é das mais bonitas. Foi traçada com pequenas conquistas, que resultaram em grandes vitórias, como vemos agora. Ainda me lembro como se fosse hoje de sua estreia na TV, como a Rosana de Coração de Estudante, ainda tão crua, mas com um enorme carisma e forte presença cênica. Logo depois, em Mulheres Apaixonadas (2003), ela já embarcou num tema polêmico – o homossexualismo na adolescência – e também se saiu muito bem. Por incrível que pareça até hoje muita gente a chama pelo nome da personagem: Clara, menina apaixonada pela colega de colégio, Rafaela (Paula Picarelli, essa sim não deu em nada).

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Em 2004, ela acertou novamente, como a surfista Moa, de Da Cor do Pecado, estreia de João Emanuel Carneiro. Moa era inicialmente mera coadjuvante, mas sua química com Reynaldo Gianecchini deu tão certo, que ela acabou ganhando bastante importância na trama. Tanto que Moa passou a sofrer de uma doença fatal, colocando Alinne no centro das atenções, mesmo tendo no elenco as divas Taís Araújo e Giovanna Antonelli, também estrelas de Viver a Vida.

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A ótima repercussão de seu desempenho em Da Cor do Pecado fez Alinne ganhar o primeiro papel principal, a decidida Nina, de Como uma Onda (2005). É verdade que Nina não era exatamente o sonho de consumo de uma atriz, mas serviu para mostrar todo o potencial da novata para estar à frente de um elenco. No ano seguinte, a jovem se envolveu num projeto originalíssimo: a novela Bang Bang, que, infelizmente, foi um tremendo fracasso. Mesmo assim Alinne se sobressaiu. Ela conseguiu dar credibilidade e emoção ao romance estilo Romeu e Julieta de sua personagem, Penny Lane, com Néon, vivido por Guilherme Berenguer.

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Porém o divisor de águas de sua carreira aconteceu em Duas Caras (2007). Tudo bem que Silvia era a grande vilã da história de Aguinaldo Silva, e as víboras sempre chamam mais atenção do que as mocinhas. Mas Silvia acabou se tornando muito mais. Além das incontáveis vilanias que cometeu, a personagem exigiu da atriz um imenso esforço emocional, já que, de garota mimada e malvada, ela se transformou numa verdadeira psicopata, capaz até de tentar matar uma criança. Confesso que não fui fã do estilo de interpretação adotado por Alinne. Achava tudo exagerado demais, tinham gritos em excesso… Os enormes e lindos lábios de Alinne pareciam ainda maiores nas cenas de descontrole psicológico da megera, tamanhas caras e bocas que a moça fazia. Mas nesse caso o grande culpado era o diretor Wolf Maya, que poderia ter cortado os excessos, tornando Silvia uma personagem mais humana. Mesmo assim a aceitação popular de Silvia foi imensa e transformou a linda paulista numa estrela de primeira grandeza.

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Agora em Viver a Vida, Alinne vem mostrando que é muito mais do que uma estrela. É uma atriz completa, capaz de se entregar de tal forma ao trabalho, que arrebata o público instantaneamente. Luciana é uma personagem complicadíssima. Começou a novela como uma garota intragável, mimadíssima, capaz de quebrar seu quarto só porque não foi selecionada para um desfile. Após o acidente que deixou a modelo tetraplégica, a vida da atriz piorou ainda mais, já que Luciana passa da mais profunda depressão para momentos de euforia. É impossível não se emocionar com as cenas em que Luciana começou a fazer pequenos avanços em sua recuperação.

Durante um bom tempo Alinne precisou atuar usando apenas as expressões faciais, já que não podia se mexer. O astro espanhol Javier Bardem sabe bem o quanto isso é complexo (ele viveu um tetraplégico no filme Mar Adentro). Mas a brasileira deu um show. E vem muito mais por aí. Quando voltar para casa, Luciana regredirá em tudo que avançou e entrará numa forte depressão. Ou seja: vem muito mais emoção por aí. E independente de você gostar ou não da novela, é muito difícil não reconhecer o belíssimo trabalho que ela vem fazendo. É ou não é para ter muito orgulho de uma trajetória assim? Alinne Moraes já não tinha que provar mais nada para ninguém. Mas se alguém ainda não acreditava no potencial e talento da moça, Viver a Vida está acabando com todas as dúvidas. Parabéns, Alinne!


Blog do Jorge Brasil

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