sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Tudo muda o tempo todo no mundo das telenovelas

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Toda vez que assisto a Viver a Vida fico fascinado com Klara Castanho. A naturalidade com que essa menina atua é tão impressionante que me remete a Gloria Pires, no início de sua carreira. Enquanto para grandalhões como Sérgio Marone e Marília Gabriela interpretar parece exigir um esforço sobre-humano, para a garota tudo flui e se desenvolve facilmente, como respirar. Mas isso me faz pensar no que ela poderia estar fazendo agora se a sinopse da trama das 9 tivesse sido respeitada. Caso você não lembre, Rafaela seria a grande vilã da história. Iria manipular a mãe, Dora (Giovanna Antonelli), levando-a a cometer atrocidades. E sua principal vítima seria Helena (Taís Araújo).

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Fiquei empolgadíssimo para ter uma vilã mirim, coisa que apenas o cinema conseguiu fazer com maestria. Rafaela também iria espalhar seu veneno por outros personagens, como fez com Onofre (Cláudio Jaborandy) logo que entrou na história. Mas tudo mudou. As ameaças veladas do Ministério Público pelo visto surtiram efeito, já que Rafaela não só deixou de fazer pequenas maldades, como também virou a criança mais fofa do planeta. Aplausos para o diretor Jayme Monjardim e cia. que conseguiram driblar essa questão tão delicada e mais aplausos ainda para a pequena Klara, que também encarou com garra a mudança radical do perfil de sua personagem.

Na verdade não é uma grande novidade esse tipo de alteração nas tramas, afinal novela é uma obra aberta. Mas algumas são gritantes. Recentemente, em Caminho das Índias, isso aconteceu logo com o trio de protagonistas. Maya (Juliana Paes) se casaria com Raj (Rodrigo Lombardi), apaixonada por Bahuan (Márcio Garcia). E após a morte do marido e de passar por toda sorte de humilhação com a descoberta de que Raj não era pai de seu filho, ela teria o final feliz nos braços de seu amado dalit. Como a química entre Juliana e Márcio não funcionou muito bem e ninguém da novela tentou reverter essa situação, estimulando o casal com mais tramas românticas, o personagem de Márcio esvaziou e virou mero coadjuvante. A sorte de Glória Perez é que Juliana e Rodrigo se deram incrivelmente bem, e o casal triunfou. Mas também fico matutando se a história original não era mais forte e dramática!

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Em Caras & Bocas isso aconteceu com o papel de Henri Castelli. Vicente sofreu tantas transformações que não sei como o ator conseguiu continuar na novela. Primeiro Vicente era louco de amor por Dafne (Flávia Alessandra) e não tinha muitos pudores na hora de lutar para conquistar o coração da moça. Era um bobão de marca maior, que iria agir sempre por debaixo dos panos. Aí Vicente viajou para o exterior, arrumou uma namorada misteriosa e voltou um homem firme, forte, corajoso, ético… Deu uma guinada de 180 graus. Do nada ele esqueceu a paixão que nutria por Dafne desde a infância, e Hannah (Júlia Lund) virou a mulher da sua vida. A sorte é que o público de novela é bastante benevolente e não se importa muito com esse tipo de inconsistência. Mesmo porque são tantos meses com a trama no ar, que, muitas vezes, a grande maioria dos espectadores nem se dá conta de que “tudo muda o tempo todo no mundo” das telenovelas. Faz parte do show.


Blog do Jorge Brasil

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